Noturno
  Emílio de Meneses

    (Sugestões de um poeta, faminto)
  
  Tudo cor de azeitona. Fim do mês.
  Noite opípara: a lua, qual pedaço
  De manjar branco, gira pelo espaço.
  Ergue-se o monte como um bolo inglês.
  
  Vejo a calda do oceano e a languidez
  De geléia d'arbustos que, em melaço
  De orvalho, treme a aragem. Há um bagaço
  De nuvens no ar. O mar, de vez em vez,
  
  Lança n'areia espumas de cerveja...
  Vejo um sorvete e até de abacaxi
  Sob a forma de torre de uma igreja!
  
  Pelo espinheiro além, quanto palito!
  E as estrelas, no céu, longe daqui,
  São biscoitos jogados no infinito!

 

 

 

 

 


EQS 506/507 W3 Sul - Brasília, DF - CEP 70350-580 - (61) 3443.0852 © 2009 BDB    Fale Conosco