A chegada dos Candangos - 1956

“Quando nós estávamos na fazenda da Granga do Torto, começou a chegar muita gente para morar ali. A gente não acreditava. Eu nunca pensava que ia ser uma coisa tão maravilhosa e, na simplicidade, ficava encantada, mas também ficava assustada com tanta gente chegando”.

Ladir Alarcão

“(...) ninguém acreditava em Brasília. As revistas da França falavam dos projetos de Niemeyer, de Lucio Costa, mas dentro do Rio de Janeiro havia uma campanha muito grande contra Brasília. Tirar a capital do Rio e passar pro interior do Brasil não era muito compreendido na época. Quando falavam de Brasília, diziam assim: nós vamos pro sertão. Porque não tinha nada, era muito mato, onça, cobra e ninguém imaginava que pudesse surgir uma cidade em tão pouco tempo. O mais impressionante em Brasília foi a rapidez com que foi feita, três anos é muito pouco pra se construir uma cidade.”

Maria Coeli

“Eu ajudava na medição e desapropriações. Eu desenhava, calculava, ia ajudando naquilo que podia. Trabalhávamos dia e noite, porque o Juscelino deu um prazo: ‘ eu quero para cinco anos o que deveria ser em cinquenta’. Então chegava e falava: ‘Vai começar o palácio, então quero esse levantamento pra depois de amanhã’. E não era pouca coisa para fazer. Esse levantamento era demorado, mas a gente tinha que trabalhar emendando dia e noite para dar conta, e dava!”

Mercedes Parada

Primeira Missa - Inspirada em Cabral - 1957

A primeira missa de Brasília aconteceu em 03 de maio de 1957, no local onde hoje fica a Praça do Cruzeiro, atrás do Memorial JK (Eixo Monumental). A data foi escolhida pelo então presidente Juscelino Kubitscheck em referência ao primeiro ritual católico, celebrado por frei Henrique de Coimbra, em terras brasileiras, a 26 de abril de 1500, na Terra de Vera Cruz, primeiro nome que Pedro Álvares Cabral deu ao Brasil, hoje Santa Cruz de Cabrália, na Bahia. A praça que deu lugar à cerimônia fica no ponto mais alto da região, a 1.172m. A missa simbolizou o início da construção da capital e foi celebrada por Dom Carmelo de Vasconcelos Motta, arcebispo de São Paulo.


“Eu fui na primeira missa. Eu me lembro que achei muito interessante. Havia um grupo grande de índios que vieram também, com penas e coisas, não estavam de roupa não.”

Orbella Lobo

A cidade livre e os acampamentos

“Meu marido mandou uma foto do barraco que a gente ia morar no Núcleo Bandeirante. Primeiro eu levei um susto e depois eu fiquei rindo. Eu disse: essa barraco parece um galinheiro velho, impossível alguém morar nisso. Quando cheguei em 1957, vi que era verdade, a nossa casa servia para guardar material de construção da sede provisória do Banco do Brasil”.

Gerda Gumprich

“Porque Brasília foi feita de nordestinos. O papel do nordestino foi uma coisa maravilhosa. Só de entrar no Planalto, no cerrado e com as nossas próprias mãos construir, isso é muito importante. A tecnologia foi mãos nordestinas. Eu tenho muito orgulho de ser nordestina, porque eu ajudei a construir Brasília. Eu, Hilda, construí”.

Hilda Silva

“Então o JK fez uma coisa que era a caravana da integração nacional, esse foi um dos momentos históricos mais bonitos do Brasil. Outra caravana do sul, outra caravana do oeste e outra caravana do norte, nordeste e essas caravanas deviam se encontrar aqui em Brasília antes da inauguração e o JK recebia cada caravana dessa. Vinham de carro, claro que houve muito cavalo, do Rio Grande do Sul veio uma cavalhada enorme, do Rio de Janeiro vieram de bicicleta. Isso tudo vinha pra Brasília, mas esse pessoal veio de carro, sabe por quê? Porque esses carros foram os primeiros carros produzidos no Brasil.”

Cosete Ramos

Missa de Inauguração, 21 de abril de 1960. Revista Manchete: Edição Histórica

A Inauguração de Brasília - 1960

“A inauguração foi um fato inédito teve revoada de pombos, sinos tocando e foi assim um dia sensacional e houve assim a grande missa no qual Juscelino chorou imagine o que ele sentiu naquele momento que ele viu que ele tirou do chão que só tinha aquela arvorezinhas do cerrado, e ele transformou numa cidade, foi preciso ter garra, era preciso mesmo ser o homem dos três M’s (médico, mineiro e macho).”

Palmerinda Donato

“Mas bonito mesmo, de chorar, a missa. A missa foi naquele alto ali, onde está a Câmara, e fizeram o altar na parte de cima e o que foi mais bonito foi aquele jato de luz que se encontrava no céu, formando uma cruz. Tudo lindo, iluminado, brilhando, coisa linda, linda mesmo. Juscelino chorou, foi um pranto, porque foi muito comovente. Deu aquela emoção em todos porque ele viu que não havia nada mais que conseguiria destruir Brasília.”

Palmerinda Donato